
Isso sempre foi um desafio para mim. Eu nunca quis dirigir as pessoas que estava fotografando. Parecia-me tão chata a idéia de dar instruções do tipo: “Pose assim!”, “Levante a cabeça!” ou “Mantenha o peito aberto rapaz!”. Sempre achei que isso iria tornar as coisas mais artificiais e que seria chato para o cliente ficar ouvindo direções, ordens. Talvez uma das razões para isso seja uma certa tendência em procurar enxergar as pessoas bonitas do jeito que são. Isso sempre teve uma forte relação com minha escolha de fazer carreira na área de fotografia. Todas as pessoas são bonitas do jeito que são. Como fotógrafo, ansiava pela oportunidade de “mostrar” isso para elas, simplesmente retratando-as, sem controlá-las, sem ditar poses, sem forçar expressões.

Até aí tudo bem. O problema, todavia, aparece quando a minha percepção do que é bonito é diferente da percepção do quem foi fotografado. Noivas, minhas clientes freqüentes, têm normalmente um nível de exigência proporcional à expectativa de alguém que está prestes a realizar algo que sonhou a vida inteira. Nesse sentido, eu vendo sonhos. Ou melhor, imagem de um sonho, de fantasia que tem que estar à altura do capricho da noiva. Teoricamente, não é responsabilidade do fotógrafo se a noiva tem o vestido certo e a maquiagem certa, ou não. Ainda assim isso vai ter influência direta no material final entregue a cliente. Não é fácil não. Às vezes o fotógrafo tem que suprimir erros cometidos pelos outros.

Além disso, muita gente tem mania de fazer poses que não vão proporcionar imagens legais. Por exemplo, uma coisa que vejo o tempo todo: gente colocando rosto-com-rosto em outra pessoa e olhando para uma câmera que está muito abaixo do nível de seus olhos. Essa postura faz com que suas bochechas sejam espremidas, além de proporcionar à ambas um tremendo queixo duplo. Daí a dica de manter a câmera levemente acima dos olhos ou pedir para que a pessoa fotografada levante suavemente o queixo. Esse foi apenas um pequeno exemplo. Existem incontáveis manias que não ajudam ninguém a ficar mais bonito na foto.
Outra complicação que aparece é que às vezes as pessoas se sentem extremamente desconfortáveis na frente de uma câmera. Eu precisava pensar em algo para quebrar o gelo e fazer algo para se soltarem mais. Percebi que quando eu forneço orientações os mais tímidos se sentem mais a vontade.

O mais interessante para mim, contudo, é a descoberta de que uma das coisas que mais faz com que as pessoas valorizem meu trabalho é o quanto elas parecem bonitas na foto. Se essa é a verdade nua e crua, então creio que devo assumir a responsabilidade por isso e tomar as rédeas da situação. Eu descobri que eu posso ajudar a fazer com que bons resultados aconteçam. E isso também tem a ver com minhas próprias expectativas do que são ou não são boas imagens. Com o passar do tempo tenho lido e visto muita coisa. Visto o trabalho de outros fotógrafos que me inspiram e desafiam. Gente cujo trabalho eu olho e penso: “Um dia quero fazer isso”.

Um caminho legal que encontrei para lidar com essas tensões é trabalhar com jogos, de forma divertida e espontânea. Por exemplo, comecei a utilizar recentemente uma série de cartões personalizados, cada um com uma dica de pose ou expressão engraçada diferente, como por exemplo: “Montar cavalinho em alguém”. Também estou investindo em fantasias, máscaras, figurino e maquiagem.
Espero que essas dicas possam te ajudar a fotografar.
Para não terminarmos a discussão, porque não deixar um comentário aqui embaixo respondendo a seguinte pergunta: “O que é mais difícil para você na hora de fotografar alguém?”





Não é sempre que fotografo as pessoas, pois não tenho câmera. Só em eventos específicos.
Recentemente, tive que fotografar pessoas para um exercício de uma matéria da faculdade. Achei que seria bem fácil, de primeira ia dar tudo certo, não foi bem assim. Meus modelos foram a família mesmo (risos). Me senti um tanto incomodada em ficar ditando como deveriam ficar e ter de repetir a cena várias vezes para que o objetivo fosse alcançado. Ao começar a ler o texto acima quando você já começa falando que nunca quis dirigir as pessoas que fotografa, pensei que tinha chegado à conclusão que não valia a pena fotografar pessoas, que o lance mesmo é fotografar coisas paradas (risos).Mas lendo tudo vi que não é bem assim. Sempre temos que buscar coisas novas, um jeito para que as coisas deem certo para que o objetivo de tirar uma boa foto de alguém seja alcançado. O texto falou muito comigo em relação a isso, pois acho lindo fotos de pessoas. Eu quero ser fotógrafa e acredito que seu texto me ajudou e ajudará em breve.
Grande abraço e fica com Deus.
Ola Paulo,eu tinha os mesmo anseios que você, por uma foto espontanea….mas depois percebi q fotografar sem uma direção não dava certo….e tentar dirigir pessoas q nao são modelos era uma tarefa bem complicada,….ai a gente acaba virando psicologo, pai, mae…palhaço de circo…tudo pra fazer a pessoa se sentir bem diante da lente..rs
Valew pelas dicas, vi em varios lugares q algo q funciona legal é ter algo para interação da pessoa, como algum objeto ou fantasias…como vc disse……e a dica do cartão achei muito manera….vou fazer entre amigos…parece divertido…rs
Paulo, parabéns pelo texto, outro dia fotografei um casamento no interior de São Paulo, cheguei todo empolgado, com idéias de poses diferentes pra fazer. Logo depois da cerimônia, quando fomos fazer as fotos de jardim (quando pretendia fazer as melhores fotos), a noiva disse que preferia fotos mais tradicionais, confesso que desanimei um pouco, só la pro final da festa é que a noiva (já com algumas cervejas na cabeça) aceitou fazer umas fotos mais descontraídas. Resultado, as fotos ficaram muito melhores que as “tradicionais” e ela acabou escolhendo todas essas pro album…
Obrigado pelas dicas.
Paulo, você está escrevendo muito bem. Bom ver isso em um rapaz tão novo.
Parabéns pela escolha da carreira e que você tenha muito sucesso com a fotografia.
Abraços diretamente de Campo Grande – MS
Adorei o texto, me faz pensar mais sobre os problemas que encontro por ai.
Minha principal dificuldade com pessoas é definir o MEU bom gosto, o que eu gosto na fotografia social, o que eu acho bonito e como obter o resultado que espero, muitas vezes os noivos não me dão paramêtro para seguir, nesse caso tenho que criar uma linha, criar uma linguagem nas fotos, e isso realmente me traz problemas, não sei se é pq sou iniciante ou pq não é o meu ramo.
Irei praticar com amigos e procurar mais referências, sempre é bom.
Grato por compartilhar o texto.
Muito legal, cara. Eu procuro levar as pessoas no “papo”. Quando a pessoa fotografada sente-se à vontade o trabalho fica lindo. Belo texto.
Essa idéia dos cartões é realmente fantástica. Ultimamente, tenho pensado mais como professora do que como fotógrafa e jogos sempre têm me ajudado muito a estimular os alunos tímidos a falarem e aprender.
Muito bom o seu texto!
Legal o texto. Achei muito boa essa idéia dos cartões!
Belo texto Paulo, parabéns! O mais difícil na minha opinião é conseguir captar a essência de cada pessoa, cada casal, ter a sensibilidade de perceber o que é unico em cada um deles. Depois de muita observação procuro fazer algumas correções e interferências, mas tento deixa-los o mais livres e naturais possível.
Também acho o espontâneo muito melhor.
As vezes é marcada a sessão e o cliente não está afim, ou não consegue conter o sorriso de frente das lentes, isso me deixa um pouco incomodado e sem ação, ai vai no improviso mesmo, é o jeito assumir meu lado humorista e tentar descontrair a pessoa, fazendo com que aquilo se torne natural.
Primeiramente, parabéns pelo texto. É um excelente ponto inicial para repensarmos a questão da direção e enxergarmos a fotografia pelo ponto de vista do fotografado.
Uma dificuldade que tenho é justamente essa, seja para construir ou desconstruir poses, principalmente na desconstrução, quando o fotografado adota posturas que sabidamente para nós, profissionais, não renderão boas fotos. Acontece muito comigo em formaturas, quando, principalmente as mulheres, insistem em coisas do tipo cheirar as rosas da decoração, sair sempre “pegando” em alguma coisa, fotos de espelho, muitas vezes em grupo e a clássica foto da bochecha, citada no artigo.
Algo que costumo fazer, que confesso não sei até que ponto melhora ou piora a direção -uso esse recurso quando a pessoa é muito difícil de ser dirigida-, é lançar mão de revistas, algo que pesquei da fotografia de moda. Levo sempre ao ensaio -isso para books e ensaios no estúdio- algumas revistas conhecidas, e sugiro as poses descritas pelas modelos. Geralmente dá bons resultados.
Ainda não montei meu estúdio próprio, mas algo que pretendo ter nele é um cantinho para descontração. Uma sala confortável, com sofás confortáveis e, de repente, até mesmo algo para beber… um vinho, whisky… algo que ajude a descontrair e aproximar mais fotógrafo e fotografados.
Oi Paulo, adorei teu texto ajudou um monte, não sou fotógrafa profissional, mas amo a fotografia e brinco as vezes com minhas amigas, minha maio dificuldade na hora de fotografar também é a de orientação dos clientes, acho também chato ficar mandando as pessoas e também penso que fica muito artificial.
Para mim, o mais difícil é exatamente o que você comentou, quando os noivos dizem não querer ser dirigidos nas poses e dizem querer fotos naturais e espontâneas, isso é muito complicado quando a pessoa só fica de cara amarrada durante o casamento inteiro.
Adorei o texto. Lygia.
Ótimo texto Paulo!
Ainda sou muito novo na fotografia, principalmente quando o assunto é fotografar pessoas. Tive algumas poucas experiências dirigindo pessoas, e sempre tenho essa dificuldade em dizê-las o que fazer. Achei ótima a diferenciação entre a beleza que nós queremos (há sempre uma beleza em todas as pessoas) e o que o fotografado vê como belo. Talvez a questão seja, no momento pra quem a foto está sendo tirada? Para o fotógrafo, como expressão da beleza nos olhos de quem vê; ou para o fotografado, no caso de casamentos e formaturas em que o cliente espera ter o a imagem de seu sonho guardada como a sua mente o lembra (ainda que seja diferente do “real”)? Tudo isso tentando, na minha opinião, não se distanciar daquilo que, ou de quem, se fotografa.
Ainda estou aprendendo. Obrigado pela ajuda!
Adorei as dicas, muito obrigada! Pra mim o mais dificil é fotografar crianças, principalmente quando choram muito, é um desafio grande entretê-las e fazer boas fotos!
Cinseramente o que me deixa mais perdido é ter que dedir as pessoas como se comortarem diante da câmera, odeio na maioria das vezes as fotos que fica visivel que foi planejada daquela forma, gosto quando a pessoa a ser fotografada se destrai e me rende uma linda imagem…
Uma dúdica, para fotografar casamentos em Igrejas, qual a melhor lente a se usar?
Gosto de fotografar objetos, lugares e etc… achei uma lente numm custo baixíssimo pensei em compra será que vale apena? sou iniciante e teno uma D3000 a lente que vi a venda é a Lente Nikon Zoom Telefoto AF Nikkor 70-300mm f/4-5.6G Autofoco – 1928… o que você me diz?
É bem complicado quando a pessoa faz pose forçada, mas pior ainda é quando ela sai bonita na foto mas não acha isso… Por isso as fotos mais lindas costumam ser de quando uma pessoa não sabe que está sendo fotografada, acho realmente interessante. Parabéns pelo blog, Paulo, tá indo muito bem!
Encontrei este endereço em minhas comunidades do orkut.
Adorei as dicas! Fotografo principalmente crianças,assim quase todas as carinhas ficam uma gracinha,não é?!
Mas quando o caso é um book ou fotos de debutantes,fica realmente complicado.
Obrigada por compartilhar!
Nara.
Eu fotografo por hobby, e frequentemente faço sessões fotográficas com as minha amigas para praticar, percebo que umas tem mais facilidades que outras para saírem bem nas fotos, e em relação as que não têm eu tenho um pouco de dificuldade para falar o que elas têm que fazer, então estou montando uma pasta com diversos tipos/estilos de fotos de poses interessantes, então olhamos durante a sessão para nos inspirar, ver o que combina e ir adaptando com o que fica melhor. Tem dado certo!
beijos e parabéns!
Olá….
talvez não se lembre de nós, sou o pai da Patrícia, Juliano…Viçosa! Minha esposa tentou fotografar junto com vc o casamento da Patrícia, mas hj estamos melhores!
Admiramos o seu trabalho! Parabéns pelo texto.
Um abraço e sucesso!